EMPODERAMENTO FEMININO: POSSIBILIDADE DE PROMOÇÃO À SAÚDE DA MULHER

Thatiana Batista da Silva Militão - relator, EEAAC/UFF

Abstract
INTRODUÇÃO: Este trabalho visa colaborar com a implementação das diretrizes do Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM) que tem buscado a implementação dos direitos de autonomia reprodutiva conquistados pela população brasileira a partir da promulgação da Constituição de 1988. No decorrer do projeto iniciamos uma capacitação dos acadêmicos/profissionais para realização da consulta de enfermagem abordando os temas anatomia, fisiologia, sexualidade, métodos contraceptivos e planejamento familiar, voltada para humanização no atendimento. Visamos empoderá-los para assim poder empoderar a clientela. E por fim, iniciamos as consultas realizando educação em saúde, fornecendo as informações necessárias à clientela, empoderando as mesmas e ampliando suas possibilidades de escolha relativa à saúde, de acordo com os estilos de vida, buscando assim diminuir o número de gravidez indesejada e abortos provocados na clientela. O termo empoderamento é uma tradução para o português de empowerment, que é a capacitação das pessoas ou comunidades a partir de educação em saúde, em qualquer espaço coletivo, com a intenção de se programar estratégia que visem à tomada de decisão, com fim de garantir fortalecimento das ações positivas para a saúde. Empoderamento, em Promoção da Saúde segundo Teixeira (2002 ), é sempre definido como " um processo que ajuda as pessoas a firmar seu controle sobre os fatores que afetam a sua saúde" (Gibson, 1991 apud Airhihenbuwa, 1994: 34i in Teixeira 2002 ). É também usado como sinônimo para habilidades de enfrentamento, suporte mútuo, organização comunitária, sistema de suporte, participação da vizinhança, eficiência pessoal, competência, auto-estima e auto-suficiência. (Rappaport 1981; Kieffer 1984 apud Airhihenbuwa, 1994: 345 in Teixeira 2002). A literatura de Educação em Saúde e Promoção da Saúde reconhece a importância dos valores denominados de "auto-desenvolvimento ou auto-realização", pela relevância que dão à aquisição das chamadas "habilidades pessoais”. Como se trata da implantação de um projeto de promoção à saúde da mulher, que busca estimular o autoconhecimento feminino, utilizamos o empoderamento como forma de incentivar o conhecimento de sua saúde reprodutiva e assim, poder contribuir para a melhoria da qualidade de vida deste segmento da população. O trabalho em questão reveste-se de alto alcance social uma vez que dados divulgados pelo Ministério da Saúde (1999-2002, p. 07) mostram que existem cerca de uma morte de mulher em idade fértil a cada 16 mortes do índice de mortalidade geral, demonstrando a importância do trabalho de educação/promoção da saúde junto as mulheres em idade fértil, visando à detecção precoce das doenças já existentes e a adesão ao autoconhecimento sobre sua saúde, para realização de escolha conscientes e busca de estilo de vida saudável. O empoderamento da clientela se dará através de consulta de enfermagem voltada para auxiliar a mulher a conhecer o seu corpo, a partir de explicação do ciclo fisiológico feminino enfatizando o aprendizado do Método Billings (2005) para promover o (re)conhecimento de cada fase do seu ciclo menstrual. As mulheres devem ressignificar alguns de seus conceitos sobre o próprio corpo e sobre a importância de se auto-examinar. Sabe-se da existência de tabus e preconceitos quanto a essa temática em nossa cultura, incutidos na formação das mulheres desde a infância que certamente levam a dificuldades no campo da sexualidade. No entanto, após vencer os primeiros obstáculos, elas estarão vivenciando experiências de autoconhecimento que as vão inserir na busca do controle sobre sua saúde (empoderamento). Nesse sentido, almeja-se na seqüência do projeto, a partir de relações dialógicas, construir uma atitude de reflexão sobre a importância do auto cuidado para empoderamento da clientela, tornando-as sensibilizadas a absorver essa atitude e assim contribuir para a transformação das clientes em “sujeito” das ações relativas à sua saúde.
A educação em saúde é pressuposto básico para o empoderamento, e quando pensamos em educação em saúde visamos unir a educação e a saúde, então todos devemos nos colocar como integrante de processo de educar continuamente. O Método Billings surgiu como proposta de empoderamento por ser um método natural, que tem toda sua estruturação em bases científicas e por ser recomendado pela Organização Mundial de Saúde. Chamado também de Método do Muco Cervical, Método da Ovulação Billings (MOB). Tem como prática para sua utilização a observação periódica do muco ao longo do ciclo menstrual. Encontramos neste método uma forma de proporcionar as mulheres o autoconhecimento do corpo seu próprio corpo. O método da ovulação foi elaborado por um casal de médicos australianos, John Evelyn Billings, após diversos anos de estudos e pesquisas. Através desse método, pode-se conseguir ou evitar uma gravidez de maneira totalmente natural. Para poder ser acessível a todo tipo de clientela foi feita a comparação da mulher com a terra. A natureza tem seus tempos secos e tempos férteis. A mulher é semelhante à natureza. Tem seus tempos secos e férteis. O homem do campo não planta em tempos secos. Ele espera o tempo úmido, fértil para começar a plantar.
O ciclo menstrual começa com a menstruação, ou seja, deve-se começar a anotação do novo ciclo a partir do primeiro de ocorrência da menstruação. E termina no dia anterior ao próximo sangramento. Após o período da menstruação tem-se um período da fase anterior à ovulação, que dependendo do tamanho do ciclo pode não existir ou ser curta. Após começa o período de ovulação onde temos a presença do muco fértil. O muco fértil tem textura inicial grumoso e amarelada, e com o passar dos dias fica clara, distensível e fluida. No dia depois da ovulação o muco volta a ficar grumoso e amarelado.
Esta observação dará a mulher a possibilidade de se conhecer, sabendo interpretar várias informações importantes a respeito do seu ciclo. Podendo entender a fisiologia do corpo e assim escolher a método mais adequado as suas características individuais e ao seu estilo de vida. O planejamento familiar visa que a mulher/casal possa estar planejando quando ter filhos ou evitá-los. È importante buscar essa orientação antes de começar a vida sexualmente ativa, pois quando se deixa para depois pode já ser o momento em que acontece uma gravidez não planejada e um possível aborto. Para escolher o método que se adequar ao seu estilo de vida a mulher/casal deve conhecer todos e poder fazer a escolha livre e consciente de sua realidade de vida. O método mais indicado é aquele que estiver de acordo com os princípios éticos, morais e religiosos da mulher/casal e oferece eficácia comprovada. OBJETIVOS: Capacitar acadêmicos e profissionais para desenvolver a consulta de enfermagem voltada à saúde da mulher. Estimular o autoconhecimento do próprio ciclo, a partir do aprendizado do método Billings; Fornecer propostas de planejamento familiar através da educação em saúde, incentivando adesão ao método mais apropriado ao estilo de vida da clientela. METODOLOGIA: O estudo estará alicerçado na pesquisa ação definida assim por THIOLLENT (1986 ): “Pesquisa-ação é um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo.” RESULTADOS: O estudo aqui apresentado revelou que através da capacitação as acadêmicas/profissionais de saúde buscam conhecer mais sobre o tema para realizar um atendimento integral a mulher. O projeto trouxe conhecimentos para as acadêmicas que participaram da capacitação. Divulgação de informações sobre Empoderamento, Sexualidade, Métodos Contraceptivos, entre outros, no site criado para divulgar a temática. As palestras e orientações que levaram a clientela conhecer mais sobre o tema. E as dinâmicas sensibilizadoras envolveram os participantes na proposta de ressignificar mitos e tabus existentes sobre o corpo da mulher na prática cotidiana. CONCLUSÃO:
Entendemos que a realização desse trabalho tem vital importância, pois uma atuação efetiva do enfermeiro junto à clientela no sentido de transformá-los em sujeitos de suas ações, eleva o grau de autoconhecimento, autocuidado e proporciona uma ampliação das possibilidades de escolha para o planejamento familiar. Almejamos com a continuidade do projeto, criar um espaço onde a clientela possa trocar experiências, buscando assim melhorar a qualidade de vida, reduzir o número de gravidez não planejada e contribuir para o diagnóstico precoce das doenças que atingem a população feminina em idade reprodutiva. Percebemos que existem processos que ao longo do tempo foram dominantes e condicionantes para atuação dos profissionais da área da saúde no passado, e hoje a partir da Carta de Ottawa (1986), 8ª Conferencia Nacional de Saúde e Lei Orgânica da Saúde 8.080/90 muda o foco da atenção voltando-o para a promoção da saúde. Fica possível assim, um olhar para a saúde que visa a melhoria da qualidade de vida. Intervindo antes que aconteça algum agravo a saúde da população. Com relação à atenção a saúde da mulher, podemos finalizar trazendo o seguinte questionamento aos programas de planejamento familiar, como se dá a escolha do método contraceptivo pela clientela? Até o momento em alguns destes serviços não é dada à possibilidade de escolha pela clientela ou acontece uma escolhas sem devida orientação. Então, acaba acontecendo uma massificação do uso de anticoncepcionais orais em detrimento do uso dos outros métodos. Ao continuar o projeto pretendemos dar a clientela a partir do empoderamento a possibilidade de escolha após educação em saúde, visando o conhecimento de todos os métodos possíveis trazendo os pontos positivos e negativos da utilização de cada um deles, e a avaliação do estilo de vida para saber se há possibilidades de adequar as demandas relativas a saúde da mulher. Notamos que a proposta do projeto tem tudo para dar certo e servir de modelo para essa atenção humanizada e empoderadora da mulher sobre sua saúde reprodutiva, mesmo neste momento com tantas atribuições voltadas para a vivência da mulher atual. Esse campo do conhecimento ainda não tem sua pesquisa e respostas fechadas, já finalizadas. Então, este projeto levará a um aumento das possibilidades de estudo nesta área levando a produção de material para pesquisa e ensino. O conhecimento do próprio corpo para a mulher é uma ferramenta poderosa, ou seja, empodera a mulher dando a essa parcela da população ter uma capacidade maior de resolver e também de buscar as respostas para sua necessidades de saúde. Almejamos com a continuidade do projeto, criar um espaço para trocar experiências, buscando a melhoraria da qualidade de vida, reduzindo o número de gravidez não planejada e contribuindo para adesão ao planejamento familiar.

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